sexta-feira, 6 de setembro de 2024

O Sistema Nervoso Autónomo

"The job that the nervous system has to do in general, is do exactly the kind of homeostatic regulation that a single cell with no nervous system whatsoever already does with things that are actually similar in terms of sociality of a single cell organism or the socialaty of an organism of multiple cells." 
António Damásio

"When we feel safe, we are capable of generosity, empathy, altruism, grouth and compassion.
When we don't (or perhaps never) feel safe, our sense of self-preservation trumps all else and selfish, desperate and agressive behaviors are all but inevitable for must people." Stephen Porges

O Sistema Nervoso Autónomo é o nosso "piloto automático" que permite, por exemplo, que o nosso coração pulse, que os nossos pulmões respirem e as nossas pupilas dilatem sem que nós tenhamos consciência disso ou tenhamos que pensar nelas para realizar as funções fisiológicas.

É um sistema onde circula informação entre as diferentes partes do corpo e do cérebro constantemente. A rede periférica recolhe os dados para que está dedicada e faz seguir até aos centros de processamento no sistema nervoso central, o cérebro e a medula, que analisa e efectiva a resposta necessária enviando a informação de volta para os órgãos efectores viscerais e na periferia.

Juntamente com o sistema nervoso simpático, o sistema nervoso parassimpático é responsável pela regulação das funções vegetativas, atuando em oposição entre si. A inervação parassimpática provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e dos bronquíolos e a estimulação das glândulas salivares. Pelo contrário, a inervação simpática leva à constrição dos vasos sanguíneos, à dilatação dos bronquíolos, ao aumento da frequência cardíaca e à constrição dos esfíncteres intestinais e urinários. No trato gastrointestinal, a ativação do sistema nervoso parassimpático aumenta a motilidade intestinal e a secreção glandular. Em contraste, a atividade simpática leva à redução da atividade intestinal e à redução do fluxo sanguíneo para o intestino, permitindo um maior fluxo sanguíneo para o coração e para os músculos, quando o indivíduo enfrenta stress existencial.

O neurónio é a célula base responsável pela condução dos impulsos nervosos no sistema nervoso. 



O nosso Sistema Nervoso Autónomo faz com que, por um lado, tenhamos um fluxo sanguíneo e  fornecimento de adrenalina e recursos energéticos adequados quando é necessário fugir numa situação de perigo - o Sistema Nervoso Autónomo Simpático (SNAS). E, por outro lado, uma outra parte do Sistema Nervoso Autónomo estará no comando no caso de estarmos a deliciarmo-nos com  uma refeição entre amigos, divertidos numa reunião social , a sentirmo-nos seguros ou a regenerar o nosso corpo nesses momentos de relaxamento seguro- o Sistema Nervoso Autónomo Parassimpático (SNAP).

Quando o SANS é activado em momentos percepcionados como de perigo, nós preparamo-nos para lutar ou fugir:
* a frequência cardíaca acelera, permitindo que fujamos ou lutemos;
* a tolerância à dor aumenta, tornando mais fácil batermo-nos pela nossa defesa;
* a nossa expressão facial fica rígida;
* os músculos do nosso ouvido médio são desativados, facilitando a audição de baixa frequência associados ao perigo e aos predadores.

Quando o SNAP em momentos percepcionados como seguros outro tipo de funções são chamadas ao serviço da nossa capacidade de descansar, relaxar, sarar e ser social:
*a frequência cardíaca baixa, permitindo que fiquemos quietos e calmos;
*a produção da saliva e dos sucos gástricos é incentivada;
*os músculos faciais são activados a fim de facilitar as nuances da expressão facial emocional;
* temos uma melhoria da prosódia vocal (melhor entonação melódica e menor monotonia do discurso) e contacto visual;
* os músculos do ouvido médio activam-se para melhor ouvir a voz humana.

Um destes programas do piloto automático actua em alerta, zangado, agressivo enquanto o outro actua descontraído, calmo e com autodomínio.

O nosso estado fisiológico e o modo como nos sentimos são variáveis intervenientes na forma como experienciamos o mundo e podem mudar praticamente tudo na nossa experiência de estarmos vivos.

Também podemos considerar o Sistema Nervoso Entérico a parte do Sistema Nervoso dedicada ao trato gastrointestinal. 

A ligação entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Entérico (SNE), também conhecida como eixo cérebro-intestino, permite a ligação bidirecional entre o cérebro e o trato gastrointestinal. É responsável por monitorizar a homeostasia fisiológica e conectar as áreas emocionais e cognitivas do cérebro com as funções intestinais periféricas, como a ativação imunológica, a permeabilidade intestinal, o reflexo entérico e a sinalização entero-endócrina. Este eixo cérebro-intestino inclui o cérebro, a medula espinal, o sistema nervoso autónomo (simpático, parassimpático e SNE) e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA).


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