"O monocórdio corporal surge como ferramenta potencial para facilitar a regulação emocional, estimular a neuroplasticidade e promover estados de relaxamento profundo, fundamentais para a reorganização das funções mentais.
O processamento auditivo de um som musical ocorre em múltiplas etapas e envolve uma rede integrada de estruturas cerebrais. Inicialmente, o som é captado pelo sistema auditivo periférico e transmitido ao córtex auditivo primário, localizado no lobo temporal. Essa região está envolvida na análise inicial dos aspectos básicos do estímulo sonoro. A partir daí, o processamento expande-se para áreas auditivas secundárias e para o giro temporal superior, responsáveis por integrar informações mais complexas, como os padrões de frequência e os contornos melódicos. Além disso, regiões corticais frontais e temporais superiores participam da decodificação de atributos musicais como ritmo, harmonia e melodia, colaborando na construção da experiência musical consciente. Essa rede auditiva interage ainda com estruturas do sistema límbico, o que explica o impacto emocional profundo que a música pode exercer sobre o ouvinte.
A vibração,
um componente intrínseco
do som, também
desempenha um papel
crucial nos fundamentos neuropsicológicos do
som. Instrumentos como
os monocórdios corporais
transferem vibrações diretamente para o corpo, ativando sistemas
sensoriais como a propriocepção (percepção da posição do
corpo) e a
interocepção (percepção dos
estados internos do
corpo). Essa estimulação somato-sensorial profunda pode
influenciar o sistema nervoso autónomo, promovendo a regulação da
frequência cardíaca, da
respiração e da
pressão arterial, e
induzindo um estado
de relaxamento parassimpático
(ZEIGERT, 2012). Simon Heather (2007), menciona que quando cantamos, ressoamos
todas as células do nosso corpo, destacando a ação vibracional do som ao nível
celular."
Enderson Medeiros
Terapia do som e neuropsicologia
Sem comentários:
Enviar um comentário